Covid-19

Crise ou Desastre ?

NOTA OFICIAL DA DIRETORIA SOBRE A CRISE DA COVID-19

 

A Diretoria Executiva da Associação Brasileira de Redução de Riscos de Desastres apresenta, por meio desta nota, sua posição sobre a natureza e a gestão da crise decorrente da pandemia Covid-19 no Brasil.

Esta nota baseia-se na experiência de sua diretoria e associados no estudo, pesquisa e na gestão de desastres de diversas naturezas e portes, consolidados nas análises constantes do Relatório Técnico Covid-19 – Crise ou Desastre?.

A situação que estamos vivendo ultrapassa a simples definição de desastre, uma vez que apresenta desdobramentos em desastres secundários com efeitos de grande magnitude. Estima-se a necessidade de internação de milhões de pessoas e dezenas ou centenas de milhares de óbitos.

Estamos diante de uma crise sem precedentes: uma Crise de Significância Nacional – cujos impactos afetam diversos estados, não podendo ser respondidos apenas com ações isoladas locais ou dos estados, sendo necessária a atuação coordenada do governo federal.

A resposta a uma crise difere da de um desastre pela necessidade de uma visão mais abrangente que inclui os diversos eventos (desastres primários e secundários) que podem estar ocorrendo, suas dinâmicas, inter-relações e consequências.

A gestão de uma Crise de Significância Nacional é ainda mais complexa e exige uma estrutura de gestão em três níveis: político, estratégico e tático-operacional, com atuação complementar com desdobramento hierárquico e atribuições e responsabilidades muito bem definidas.

Segundo essa estrutura, o Conselho Político define as grandes linhas de ação, prioridades e objetivos gerais a serem atingidos, faz a articulação política com os atores privados (Federações, Associações, Grandes empresas) e propõe ajustes necessários na legislação para viabilizar a atuação na crise. Essa articulação pode, por exemplo, definir o redirecionamento de parte do parque industrial para a produção de itens necessários à resposta aos desastres e negociar ajustes nas cadeias logística e de suprimento.

O Comitê de Crise define estratégias para atingir os Objetivos Gerais, desdobrando em Objetivos Específicos e ações de caráter estratégico (como a alocação de recursos excepcionais e ajustes na regulamentação das atividades a seu cargo), ajustando-os em função da evolução da situação a cada ciclo de planejamento.

O Comitê de Crise tem ainda um papel fundamental na promoção e direcionamento da inovação de forma a proporcionar soluções para os problemas, devido ao seu ineditismo à sua escala ou à velocidade de produção e realização.

Os Centros de Coordenação podem ser definidos em função de atribuições específicas ou geográficas e são responsáveis pela proposição e implementação de estratégias para atingir os Objetivos Específicos definidos para sua jurisdição e pela articulação no nível tático-operacional com os atores naturais e necessários. 

A adoção de estratégias por setor ou região geográfica é a mais acertada, uma vez que as situações e condições podem diferir muito. Países menores podem estabelecer estratégias mais gerais para todo o país, mas países com a extensão territorial e as diferenças de infraestrutura e sociais existentes é necessária a adoção de estratégias mais diferenciadas. Por exemplo, as medidas de isolamento de distanciamento social podem ser empregadas de forma diferenciada dependendo do estágio da disseminação do vírus em cada região, estado ou cidade, da criticidade das atividades ali desenvolvidas e da capacidade da infraestrutura pública.

Para o sucesso dessa gestão é necessário ainda um monitoramento da situação diária, incluindo a testagem para a determinação da evolução do número de casos, para o redirecionamento de objetivos e estratégias.

Concluindo, a Diretoria da ABRRD entende que estamos diante de uma situação sem precedentes que exige uma atuação coordenada, colaborativa, sistematizada, transparente e inovadora para sua superação. Entende ainda que há experiências que demonstram que uma atuação com essas características pode ser exitosa e que, após seu término, a sociedade não será a mesma devido às restrições pelas quais passaremos e aos aprendizados incorporados.

Niterói, 29 de março 2020

NOTA OFICIAL DA DIRETORIA SOBRE A COVID-19

Relatório Técnico

Covid-19 – Crise ou Desastre?

Cuidados em Saúde Mental frente ao Coronavirus 

O mais novo adversário da saúde física mundial atende pelo nome de coronavirus.  Vindo da China transformou-se em foco da atenção mundial . Vários países se mobilizam para enfrentar os desafios de uma contaminação que acontece de pessoa a pessoa. Tal circunstância impõe a necessidade de que os infectados ( termo horroroso) sejam segregados, separados uns dos outros e dos demais não contaminados. As várias  reportagens dão  conta  da celeridade com que as providências estão sendo tomadas pra conter um surto cujas proporções seriam assustadoras.  Louváveis. Entretanto há um aspecto importantíssimo e que ainda não foi devidamente dimensionado. Trata-se da saúde mental das centenas de pessoas que estão sendo colocadas em quarentena enquanto não tem definidos os seus quadros .

O isolamento a que estão sendo submetidos impõe restrições a que se comuniquem com suas famílias e amigos. O isolamento longe de casa implica em mudanças de hábitos, perda de referências espaciais, afastamento de objetos serviços que povoam seus cotidianos, além da  necessidade de adaptação a condições de um cotidiano em coletivos onde quase todos são estranhos uns aos outros. Feridas emocionais são abertas, episódios depressivos podem ser desencadeados como efeito do isolamento, medo e ansiedade são reações esperadas e previsíveis dentro desse contexto. Sempre é importante lembrar que junto a esses quadros há também processos de resiliência cuja resultante varia de indivíduo pra indivíduo. Mas é necessário que sejam cuidados, que também  recebam atenção.

Importante que os projetos de contenção e controle do vírus levem em conta os aspectos psicológicos desses pacientes em situação de quarentena. Ser  isolado  dos demais e percebido como um perigo potencial não é um fardo emocional  fácil de carregar.  Escutas especializadas,  vídeos recreativos, música e exercícios de respiração e meditação, bem como preparação das equipes de saude para os aspectos emocionais envolvidos são itens que precisam ser incluídos nos projetos em curso.  Garantir que os isolados possam se comunicar com seus familiares, que tenham oportunidade de dar prosseguimento aos  múltiplos detalhes de suas vidas  que tenham  ficado em suspenso. Mecanismos de comunicação precisam ser garantidos para minimizar os danos psíquicos decorrentes do isolamento.  

A saude física está sendo equacionada de forma eficiente. Mas pelo que vem sendo reportado não tem havido preocupação com os aspectos psicológicos,  tão importante quanto os demais. Pelo menos não tem sido reportado. Precisamos falar sobre a saúde mental do grupo submetido às quarentenas.

Eliana Vianna- Psicóloga RJ

5 de fevereiro de 2020

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